Caminho do Discípulo

A Igreja Batista no Parque Panamericano não vê o discipulado como um roteiro de iniciação a ser seguido de forma rígida e inflexível, mas como um ensino bíblico e espiritual sadio que dê ao discípulo uma visão crítica e interdependente, capacitando-o a servir, aprender, mas também a ensinar. A obedecer, mas também a envolver-se na comunidade como colaborador e amigo, de acordo com a visão que Jesus concedeu a Paulo: a visão da Igreja como corpo interdependente(1). Acreditamos em uma relação entre mestre e discípulo que se dá através de um diálogo relacional, de uma comunhão eclesial e de uma dialética, onde há espaço para o ensino e para o aprendizado mútuo.

A orientação da Pastoral de nossa Igreja tem sido a capacitação de discípulos libertos. Jesus disse: “já não vos chamarei servos, mas amigos”(2). Ou seja, o discípulo desde o princípio é convidado a desenvolver os seus dons, colaborando para a edificação do Corpo, que cresce em amor(3).

A diferença entre a formação espiritual cristã e a formação espiritual ocultista é que, no último caso, o discipulado se faz de maneira misteriosa e piramidal, ou seja, um caminho em que o discípulo é convidado a iniciar-se nos mistérios antigos deixando-se levar, de maneira cega, por um mestre. O mistério da Mística, do ministério de Jesus, ao contrário, é um mistério a ser revelado, ou seja, um mistério a ser contemplado no rosto de uma pessoa(4). O mistério que envolve o amor não de uma força, de uma energia, de um conhecimento, de um poder, mas o amor de uma pessoa. Jesus de Nazaré, o Deus bíblico, que não se fez conhecer por lendas e fábulas inventadas, mas pela História. A formação cristã, portanto, só é possível dentro de um contexto de interdependência, em que o discípulo conhece, desde o princípio, o mistério a ser seguido: não passos obscuros, roteiros ou realizações, mas uma Pessoa.

Dentro desse sentido, a formação espiritual, ou o Discipulado pode ser seguido não como um conjunto de instruções dominadas por mestres espirituais, mas como uma pedagogia em que se apresenta uma Pessoa (a saber, o Deus que se manifesta na História) como a Fonte a ser seguida.

 A formação espiritual cristã, portanto, não é um caminho de conhecimento piramidal, em que a pessoa é convidada a crescer em uma estrutura misteriosa de conhecimento, mas a descer todos os degraus do amor e da humildade. Diferente do pensamento da Nova Era, no Cristianismo histórico o homem é, por Jesus, convidado a descer ao profundo de sua humanidade, e não subir à altura de sua “divindade”. O crescimento, portanto, no Cristianismo, se dá não de baixo para cima, mas de cima para baixo, sendo cada participante do Corpo de Cristo convidado a praticar, com Jesus, a sua Kenosis(5). Um caminho de abandono, pobreza, de humilhação e de Cruz(6).

A pedagogia do Discipulado, portanto, se faz com passos claros, um passo de um conhecimento aberto, um mistério proposto, um mistério em que o discípulo não é guiado aos degraus do amor, mas convidado. Ou, para usar uma expressão mais fácil e popular, ao contrário dos mestres do pensamento filosófico ocultista, Jesus, desde o princípio, “abre o jogo”(7).

Portanto, entendemos o caminho da espiritualidade não como um conhecimento arcano a ser divulgado e ensinado, não como um método a ser aprendido, tampouco como uma iguaria evangélica a ser apreciada e consumida, mas como o convite que Jesus faz, através da Igreja, ao Mundo. Existe, sim, uma Iniciação (o que pode ser visto de forma muito clara na História do Cristianismo), existem, sim, passos, existem, sim, estágios, mas em uma forma de organização de uma pedagogia de conhecimento aberta.
Uma pedagogia aberta a uma Teologia do Encontro, que é cristológica. Em cada passo do Discipulado, o discípulo é convidado a questionar, meditar e discernir, de acordo com a Escritura(8).

1 - Cl 3.14-16
2 - Jo 15.15
3 - Ef 4.11-16
4 - Mt 11.27, Lc 10.22, I Jo 3.2, 1 Cor 13.12, Ap 1.8
5 - Fl 2.5-8
6 - At 14.19-22
7 - Jo 18.20
8 - At 17.11

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