Acolher Sempre

Quero começar esta pequena reflexão usando as ideias de um artigo que li a alguns anos de um irmão: Romildo Neres. Uma das marcas mais extraordinárias do Evangelho do Reino de Deus é o acolher sempre, principalmente quando se trata do “Acolhimento da Discordância”.

Para lidar com o processo de crescimento pessoal e social consequentemente você precisa, sobretudo, prestar atenção nas pessoas.

Tentar descobrir o que elas têm há lhe ensinar, manter conexão com suas falas, criar igualdade de vínculos, parar e lhes dar atenção. A base maior da sociedade são os relacionamentos, é a partir deles que as associações se fazem. Estas associações criam laços que estabelecem vínculos e que perpetuam a sobrevivência ou o desaparecimento da sociedade Nestes anos de ministério pastoral, de viagens pelo Brasil, entre vitórias e derrotas, fracassos e sucessos cuidando de gente pecadora como eu; pouco a pouco foi ocorrendo uma mudança grande em minha maneira de ver as pessoas e suas ideias, mesmo que essas fossem totalmente contra minha maneira de ver e enxergar a vida.

Foi o desenvolvimento do sentimento de “acolher e ser acolhido a partir das diferenças". Nesta experiência, percebi-me acolhendo as diferenças ao invés de trabalhar contra argumentos. Pude desenvolver afetos sinceros com gente diferente de mim. Pois bem, a partir da descoberta que acolhimento acontece a partir inclusive da "Discordância" cheguei também a um destino inesperado, pelo menos para mim. Comecei aprender que o acolhimento começa com o ouvir, este ouvir é muito mais benéfico para quem ouve, percebi que se aprende e muito ouvindo.

Cultivar uma disposição legítima de aprender com o outro é uma regra básica da ética, quando não fazemos isso vivemos e praticamos uma pequena ética, ou seja, ouvimos apenas por etiqueta ou educação é isso que significa uma pequena ética. Emprestar muito mais que o tempo que a conversa dure, prestar a atenção e a pré-disposição para aprender ao ouvir, seja lá quem for, fazem parte do verdadeiro acolhimento. Prestar atenção no outro de maneira sincera, Eis um aprendizado que devemos procurar desenvolver em nossas relações.

Mas surge ai uma questão! Como lidar com aqueles que não concordam com o que achamos certo? Alguns mais extremados dirão "Acaso andarão dois juntos se não estiverem de acordo?" como disse profeta Amós ao que respondo, sim, precisamos aprender a viver entre diferenças. Se entre nós existe algo que nos faça andar de corações juntos (concordância) andemos juntos, se há algo entre nós que nos faça andar de corações separados (discordância) nos “Acolhamos na Discordância” através do exercício de respeito pelas opiniões contrárias. Acolhamos nossos interlocutores tentando aprender inclusive em meio a discórdia. “Acolher a Discordância” foi justamente uma das lições que aprendemos com Jesus. Os opositores se levantaram com argumentos religiosos justificáveis contra ele, mas mesmo em meio à "Discórdia", Jesus os acolheu para apresentar-lhes um caminho de convergência ao coração à "Cordais,Cardis" raiz da palavra "Cordial" que é responsável por sua vez pela palavra "Concórdia", ou seja, "com o Coração".

O “Acolhimento da Discordância” promove a reflexão tão importante em nossos dias, intolerância ideológica gera mal estar, e afastamento. Infelizmente hoje com 53 anos posso ver em minha história, quantas pessoas maravilhosas, brilhantes, que também amam a Jesus e outras que não são cristãs, eu afastei de mim, feri, desrespeitei pela minha intolerância e incapacidade de sinceramente acolhe-las em meu coração. É importante saber que este processo não é fácil, pois em geral nos afastamos daqueles que discordam de nossas argumentações. Um exercício fundamental para este processo de aceitação das opiniões contrárias as nossas é ter a consciência que não sabemos tudo e em verdade nunca saberemos tudo. Quando li o livro de João Guimarães Rosa – “Grande sertão veredas”, fiquei encantado com uma frase logo no inicio da história que reflete esta nossa incapacidade de saber tudo que diz: - “Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa” e é assim que é!

Quero encerrar esta pequena reflexão fazendo apenas uma referencia que acredito ser pertinente e que devemos aprender por meio do “Acolhimento da Discordância” O cultivo da tolerância em ambientes de rivalidade sejam eles, no campo profissional, social, familiar, em nosso caso, no ambiente religioso. A divergência é admirável, até desejável, mas ela nunca pode conduzir à anulação do outro, daquele que pensa diferente de você. Não permita que a “Discordância” te leve do conflito ao confronto. Aprenda Acolher sempre sem nunca diminuir o Acolhido.


Pastor Silvestre Alves da Silva Junior Igreja Batista no Parque Panamericano

 É pastor da Igreja Batista no Parque Panamericano desde novembro de 2001.

Antes disso, foi seminarista e pastor auxiliar na Igreja Batista em Vila Prudente, na zona leste de São Paulo. Estudou Bacharelado em Teologia na Faculdade Teológica Batista de São Paulo.

Fez diversos cursos livres nas áreas de Espiritualidade, Casais, Filosofia, Aconselhamento e Teologia Pastoral.

Com 55 anos, é casado há 30 com Rosemeire e têm três filhos (Elionae, Lígia e Nathália). Para conversar com o Pr. Silvestre, envie um E-mail para prsilvestre@ibpan.com.br.

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